sexta-feira, 1 de abril de 2011
A tristeza é sólida sobre o inteiro
Desce errante o aventureiro
Que a curto passo cresceu
Para aflorar solidão infinda
Daquela noite ao lado meu
No leito cedendo o leite da vida
E por dentro frio, nasce o poeta
Que em meu corpo completa
O sentido da palavra amor
Acelera o seio! E geme de dor
Abaixo dos olhar que dá o afeto
O artista em mim adormece
E toca-me o lábio incerto
Sobre a pele que arrasta e aquece
Do artista que cede este leite
Escorrendo entre as pernas do ambiente
Faz tremer a mão errante
Sobre as costas nuas da noite
Neste leito em mimo eternamente
Valesca A.Rennó
quinta-feira, 31 de março de 2011
Andei
Andei implorando uma queixa, uma saudade
Não pelos calentos mimos que recibi
Mas pela minha mocidade
E pelos vagos errso que cometi
Andei chorando mágoas vencidas
Não por esstes tempos enfim
Mas por ter acabado assim,
Aprendi a seguir os passos da vida
A biografia de uma escritora é senão
Um sonho,pois ela espera em vão
Não só por amores, não só plenitudes
Mas por gandes valores e virtudes
Só sinto o quão sofrido estão
Nós, pobres poetas que pela vida
Vaga inerte as formas da solidão
Pois somos tudo, nesta passagem finda.
Valesca A.Rennó
quarta-feira, 30 de março de 2011
E é por não ter afeto cru
Que vaga este seio nu
Se não sinto agora, pois
Por vazio sois
Na mísera palavra a dor
Na alma do poeta, a miragem
Nostálgica viagem
Deste poema sem cor
E se me sinto inteira assim
É mentira, pois espero
Algo que preencha em mim.
Não vivo só porque quero
Sonho em vão, pois sóis
Uma alma despida errante
E não há nada neste instante
Embaixo dos meus lençóis.
Valesca A.Rennó
Valesca A.Rennó
sexta-feira, 25 de março de 2011
Melinda
Quanto tempo sofre a dor est'alma fria?
Em que transpassa e se disfarça em alegria?
Como é bela esta tristeza finda!
En cravados neste seio Melinda.
Qundo te libertarás do sofrimento?
Atordoante como uma brisa perdida e serena
De noite no frescor da noite suprema
Pretendes viver por quanto tempo?
Quando esta vasta solidão
Ir até que tudo se escureça
Esperar que a'lma se esvaeça?
Deixe a alma de Melinda em paz
Carregar em si somente a culpa
Neste momento é tudo o que a lembrança oculta.
Valesca A.Rennó
Que cambiante o crepúsculo, brilhante!
O que vejo na janela do quarto é o murmurio d'almas
E contemplo o obstruso da lua cheia
Sob o céu que abanar minha turva fisionomia
Olvidei o que passou do dia.
As lágrimas secaram de desgosto
As pálpebras gemendo de rancor
Sentindo o sereno, num prazer de sentir dor.
Vendo em cada estrela um alma desafortunada
Que passou por esta terra calamitosa
E foi levando um'alma sombrosa
Estarei a espera dum lascivo mestre~
A saudar-me com uma liberdade formidável
Engenhosa descrição duma volúpia
Donde me fará apreciar o resto da minha história.
Valesca A.Rennó
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