sexta-feira, 2 de março de 2012



Eu quero sentir saudades
Pedir pra sofrer não é pecado
Sofrer devagarzinho é bom
Chorar de mansinho, ficar de molho na bacia
Deitar na cama e se prantear
O que poderia ter sido feito, o que poderia transformar
E se isso, e se aquilo, e se assado
E se ninguém sabe, só sabe de si.
Sabe o que é? É que eu gosto de sentir saudades
Eu gosto de brincar com a angústia
Se não sou alguém para colocar um sorriso
Na saudade, quem sou eu pra chorar?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012



Plantei na terra a semente do descaso
Cega de ambição devora e invade
A fruta fresca que nas mãos descasco
Este resto de amizade

E eu padeço a dor amarga
A gozar de pranto vil
A canção inflada chaga
Dessa amizade que sucumbiu 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012



Se contar no tempo essas batidas a arrebatar meu seio trovador,
diria que fizemos das nossas línguas triunfantes brigas no meu céu.
Eu me acosto a tua e você empurra a minha, e nesse embate
profano, tu fala minha língua.
E eu me pergunto: Como pode o amor em tempo de guerra ser tão gostoso
e me deixar na míngua?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012


Saudade não tem hora marcada
E nem data prevista pra chegar
Bate na porta como quem não quer nada
Aconchega-se e já quer intimidade

Depois de horas em molho nostálgico
Ela vai embora sem se despedir
E aí bate aquele vazio de alma de pensamento
Pra onde foi?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012



De tantas vezes que eu decidi dizer adeus
Essa pareceu ser a mais recíproca despedida
Despedida com café e maço
Na verdade eu me cansei de despedir em pensamentos
E decidi transformar em ação o absoluto
Decidi me despedir da brandura do olhar
Das palavras secas que não traduzem nada
Da antiga cantiga do Led, nos lençóis amarrotados
Vista tão cansada que nem óculos suportam mais
E eu cansei de insônias perdidas em preocupações
Ora, o moço não é bom em considerações
Transformei em despedida todos aqueles poucos dias
Que estivemos juntos
E durante tempos, tratada com indiferença
Sinto falta daquele velho amigo
Das conversas sóbrias
Dos anseios, enleios, embaraços
E sinto falta dos nossos problemas
Das discussões, dos abraços
Mas é vida, e a vida é um caminho que a gente deve seguir só
Pela amanhã, cansar pela tarde e se deitar pela noite
Tenho uma tarefa árdua para esse inicio de ano
Não trocar palavras com quem não sabe recebê-las
Não preocupar-me, com quem nunca se importou.
Essa despedida em pensamentos me dói
Não pela despedida em si, mas por ser obrigada a transformá-la em ação
De não querer suportar mais nada.

domingo, 15 de janeiro de 2012



Carta ao Jornal Folha de São Paulo

CONCEITO DE EDUCAÇÃO.  Por: Valesca Rennó

Há quem diga, que o única função do professor é passar assunto.
Na verdade não. Sustento uma verdade que diz respeito que o professor tem a ensinar
matérias e VALORES. Sendo algo pouco imposto, os valores devem ser passados através de uma experiência única, é nessas horas que age o professor, mostrando um pouco do seu conhecimento de vivencia para o aluno interessado. A criança absorve melhor tudo aquilo que se passa nos primeiros anos de vida, compreendido isso numa escala de 3 á 8 anos, que são os primeiros passos da criança na escola.
Ser professor vai muito além de pedir, de ordenar. Ser professor, é brincar, interagir ao mesmo tempo em que instruir. Os primeiros anos da escola são os que os alunos necessitam de mais zelo e atenção, não só nos ensinamentos básicos como alfabeto, mas na questão dos valores éticos e morais. É sentar, apontar, dizer o que pode e o que não pode, e tentar mostrar exemplos para aqueles olhos tão vislumbrados. Não é impor a condição, é mostrar o PORQUÊ de não poder fazer ou falar algumas coisas, o conceito de bom e ruim. Porque não é sempre que um aluno virá bem instruído da sua casa. De uma coletividade totalmente despreparada, com a televisão sendo seu único ponto de foco. O papel do professor vai mais além. É mostrar a verdade, e há quem diga que professor não tem obrigação de passar valores e outros ensinamentos além daquilo que foi imposto pela direção. Tem.
É de suma importância que o aluno evolua para os próximos anos em plenas condições de se conviver e se adaptar a outros colegas e a outros tipos de comportamentos distintos, tudo isso se inclui na palavra EDUCAÇÃO. Ou seja, Prática de hábitos sociais e boas maneiras.
Reclamam de ser um trabalho mal remunerado, de fato é. Mas precisamos de pessoas que ensinam o aluno a pensar, a refletir sobre os seus atos desde pequeno, principalmente a aqueles que não vêm preparados. Alguns por sofrer maus tratos em casa, pais separados, intrigas familiares e outros problemas semelhantes. É aí que parte a minha posição com relação a isso, professor não é “pau mandado”, o papel do professor é mostrar a verdade, é oferecer mais de um caminho. Que não seja o egoísmo a pensar por si só em prioridade.
Não é dizer ao aluno que carreira deve seguir, é fazer com que ele crie a sua própria argumentação, desenvolva sua opinião para que ELE saiba o que é MELHOR e com o que ele poderá futuramente contribuir para a sociedade.
Portanto, fico indignada quando reclamam demais da profissão e do salário, é muito mais do que isso que falam e que mostram. ENSINAR é uma dádiva, é reviver.
Quem faz por onde será sempre bem recompensado. E quem não faz a profissão valer a pena pela sua dignidade, não sabe mesmo o que é ser um bom profissional.
O Brasil está tomado pelas influencias, pelas imposições, pela mídia que mostra o que quer. Precisamos de profissionais para acabar com isso, de gente competente e bem capacitada, que não vá dar aula pelo salário, mas pela dignidade da profissão, pela necessidade em mudar esse quadro da educação que está em estado de calamidade no país atual.

Valesca Rennó – Estudante da Universidade Federal de Minas Gerais, 2º Período.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012



Eis que surge a tua sutil presença
E me cativa tamanha beleza
Nas flores, em meio a tristeza
Deitada no campo em crença
No afetuoso desabrochar da rosa

Eis que de vulto sedutor
Suplico-te, me adora!
Teu belo semblante a te por
E dormes como um anjo agora
No soneto e na prosa

E ai de mim, moça do silencio
Ansiosa para tua companhia
E viver nos afagos teus e penso
Aguardo-te em harmonia
No ruído da flauta chorosa